23% da população brasileira mora de aluguel, segundo o último levantamento do IBGE, o que resulta em cerca de 46 milhões de pessoas. Dessa forma, o mercado imobiliário está passando por uma transformação acelerada com novas formas de garantia locatícia sendo lançadas para preencher essa lacuna.
Se você trabalha com aluguel residencial ou comercial, ou atua em uma imobiliária, entender essas tendências é essencial para ganhar competitividade e oferecer melhores soluções ao cliente.
Neste artigo, exploramos as principais tendências em garantias locatícias para 2026, o impacto das fintechs, o avanço das garantias via cartão de crédito, a sofisticação dos títulos de capitalização e o que esperar dos próximos anos.
Por que as garantias locatícias estão mudando tão rápido?
A combinação de fatores econômicos, transformação digital e mudança no perfil do consumidor cria o ambiente perfeito para inovação:
- Locatários buscam menos burocracia e mais agilidade.
- Imobiliárias querem reduzir risco, evitar inadimplência e acelerar aprovação.
- Investidores e instituições financeiras enxergam no aluguel um canal robusto para novos produtos.
Esse cenário abre espaço para fintechs, insurtechs e soluções financeiras híbridas.
1. Crescimento das garantias digitais e das fintechs de aluguel
Com as novas regras de financiamento de imóveis, a possibilidade do trabalho remoto e as facilidades de mudanças, as fintechs vêm ganhando protagonismo ao oferecer garantias mais rápidas e acessíveis, substituindo o fiador tradicional e diminuindo as burocracias. Assim, para competir com as concorrentes, as seguintes tendências são importantes:
- Aprovação em minutos via análise automatizada
- Garantias que usam inteligência artificial para avaliar risco
- Modelos de assinatura ou mensalidade para cobrir inadimplência
- Empresas unindo fundos de investimento + tecnologia para estruturar novas modalidades de garantia
2. Garantias com cartão de crédito: crescimento acelerado
A garantia locatícia via cartão de crédito está se tornando uma das soluções mais populares, especialmente entre jovens e profissionais liberais. A desburocratização é uma demanda crescente dos consumidores, Vantagens:
- Não exige depósito de caução
- Aprovação rápida
- Parcelamento de taxas
- Simplicidade na contratação
3. Títulos de capitalização: do tradicional ao “turbinado”
Os títulos de capitalização já são amplamente utilizados como garantia locatícia, mas o produto está evoluindo.
Tendências para 2026:
- Soluções combinadas com fundos de investimento (substituindo o título clássico)
- Devolução mais transparente do valor ao final do contrato
- Sorteios e benefícios adicionais para o locatário
- Redução do custo frente ao seguro-fiança
Esse tipo de garantia deve crescer especialmente entre locadores que buscam alta segurança jurídica.
4. Títulos públicos como garantia: o próximo salto de inovação
Uma das tendências mais promissoras é o uso de títulos públicos (Tesouro Direto) como garantia locatícia.
O conceito, que já é discutido por especialistas, deve ganhar espaço porque combina:
- Alta liquidez
- Segurança estatal
- Possibilidade de rendimento para o locatário
- Execução mais rápida em caso de débito
5. Seguro-fiança reformulado e mais competitivo
Deixando para trás o modelo tradicional, as seguradoras estão apostando em tecnologia, personalização e benefícios adicionais para conquistar inquilinos e proprietários.
- Preços mais modulados conforme perfil do inquilino
- Modelos com cashback ou acúmulo de pontos
- Integração automática com CRMs imobiliários
- Contratação totalmente digital
A tendência é que o seguro-fiança concorra lado a lado com garantias financeiras em função da flexibilidade e do baixo desembolso inicial.
6. Aluguel Consignado
Para ampliar a esteira de serviços de garantia e, assim, alcançar mais clientes, a aposta para os próximos anos é o aluguel consignado. Com a aprovação do projeto de lei 462/2011 na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, o mercado imobiliário agora pode torcer por mais uma facilidade, se for sancionada pelo Senado.
- O aluguel poderá ser descontado diretamente no salário do inquilino, não comprometendo mais do que 30% da renda
- No primeiro momento, o serviço só estará disponível para servidores CLT do setor privado
- O texto prevê ainda o uso do FGTS e a conjugação de garantias
O mercado espera que a proposta entre em vigor logo em 2026.
7. Infraestruturas financeiras que vão mudar o jogo
Em 2026 veremos mais padronização e segurança jurídica graças ao avanço de infraestruturas como:
- Plataformas que centralizam garantias financeiras
- APIs integradas entre fintechs, seguradoras e imobiliárias
- Ambientes com lastro em previdência, fundos e capitalização
- Possibilidade de “tokenizar” garantias no futuro, via blockchain
Essas tecnologias tornam o processo mais confiável e reduzem risco para quem aluga.
8. Impacto para imobiliárias e investidores
As imobiliárias terão novos papéis:
- Oferta de múltiplas modalidades para conversão de clientes
- Processos mais rápidos e eficientes na aprovação
- Redução do custo operacional
- Maior segurança na gestão de inadimplência
Assim, quem dominar essa nova geração de garantias terá vantagem competitiva.
Conclusão: o futuro das garantias locatícias é digital, financeiro e integrado
As tendências das garantias locatícias para 2026 apontam para um mercado mais tecnológico, flexível e centrado no inquilino, buscando diminuir burocracias e o tempo de fechamento de contratos. As imobiliárias que se adaptarem a essas mudanças e buscarem novos instrumentos e ferramentas conseguirão desbravar esse novo cenário.
Publicado em 29 de dezembro de 2025 Blog