Mesmo com a taxa Selic no maior patamar em duas décadas, o mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com o maior volume de lançamentos e vendas de toda a sua série histórica. O protagonista? O programa Minha Casa, Minha Vida, que respondeu por mais da metade dos lançamentos no último trimestre do ano.
O Cenário: Juros Altos, Demanda Imbatível
Segundo dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em fevereiro de 2026, o Brasil lançou 453.005 unidades residenciais em 2025, crescimento de 10,6% em relação ao ano anterior. O Valor Geral de Lançamentos (VGL) chegou a R$ 292,3 bilhões, também o maior da série histórica.
O levantamento cobriu 221 municípios em todos os estados brasileiros, incluindo capitais e 21 regiões metropolitanas, representando aproximadamente dois terços do mercado imobiliário nacional.
O quarto trimestre foi especialmente forte: 133.811 unidades foram lançadas entre outubro e dezembro, alta de 18,6% frente ao trimestre anterior. No mesmo período, 109.439 unidades foram comercializadas, movimentando R$ 67,2 bilhões em Valor Geral de Vendas.
O Papel Central do Minha Casa, Minha Vida
O programa habitacional do governo federal foi o principal responsável pelos resultados recordes. Ao longo de 2025, o Minha Casa, Minha Vida registrou 224.842 unidades lançadas, alta de 13,5% em relação a 2024 e 196.876 unidades vendidas, crescimento de 15,9%.
No quarto trimestre, o programa atingiu sua maior marca histórica para o período: 69.188 unidades lançadas e 53.145 vendidas. Esses números fizeram o MCMV responder por 52% dos lançamentos e 49% das vendas nacionais entre outubro e dezembro de 2025.
O programa contou com orçamento recorde de aproximadamente R$ 180 bilhões em 2025 e já contratou mais de 1,9 milhão de unidades desde 2023, com investimento público superior a R$ 300 bilhões. A meta do governo federal é chegar a 3 milhões de moradias contratadas até o final de 2026, 50% acima da meta original.
O impacto foi sentido em todas as regiões, com destaque para o Sudeste e o Norte, onde o programa respondeu por 55% e 56% das vendas no último trimestre, respectivamente. Na cidade de São Paulo, o programa representou 62% dos lançamentos e 63% das vendas entre janeiro e outubro de 2025.
Perspectivas para 2026: O Melhor Ainda Pode Estar Por Vir
O cenário aponta para condições ainda mais favoráveis. A CBIC projeta o início de um ciclo de redução da Selic a partir de março de 2026, o que deve baratear o crédito imobiliário e impulsionar a demanda especialmente nas faixas mais altas.
Com a meta governamental de 3 milhões de unidades contratadas e a expansão das faixas de renda, o programa Minha Casa Minha Vida deve continuar sendo o principal motor do setor. Para quem está planejando comprar um imóvel, este pode ser um momento estratégico: a oferta está no maior nível histórico, com 347.013 unidades disponíveis, e o estoque do MCMV seria absorvido em apenas 7,9 meses no ritmo atual de vendas. A janela de oportunidade está aberta.
Publicado em 11 de março de 2026 Blog